"Eu estou fazendo isso certo?"
Se você cria algo — seja um vídeo, uma tela, um texto ou um espaço — essa pergunta é a sombra que te persegue. Ela não nasce da dúvida sobre a técnica, mas do medo do vazio.
Passo meus dias imerso no que chamo de tríade essencial: arte, criatividade e processos artísticos. Mas, ultimamente, percebi que a resposta para "estar no caminho certo" não está no analytics do YouTube, mas na natureza do que nos move.
Neste artigo, quero mergulhar no que chamo de "fundo do mar de ideias" e entender por que a arte, para alguns de nós, não é uma escolha, mas uma inevitabilidade.
A Inevitabilidade: Quando a Arte Deixa de ser Opção
Há uma frase de Rolandinho, em uma entrevista ao Artur Miller, que resume o espírito de quem realmente vive da criação: a vontade precisa ser inabalável e inevitável.
Muitas vezes, passamos a vida esperando uma validação externa.
Queremos que um mestre, um algoritmo ou um público nos dê permissão para nos chamarmos de artistas. Mas a verdade mais profunda é que a arte é um chamado interno que não aceita "não" como resposta.
Na Luxara Labs, onde transformamos conceitos em produtos, festivais e espaços físicos, vemos isso o tempo todo.
Não se cria um espaço artístico apenas porque é "legal"; cria-se porque aquele espaço precisa existir no mundo. É uma urgência.
Se você sente que não conseguiria parar de criar mesmo que ninguém estivesse olhando, parabéns: você já está no caminho certo.
A Regra dos 100 e o Desapego do Destino
Vivemos a ditadura do resultado.
O sucesso é medido pelo número de curtidas, pela conversão, pelo impacto imediato. Mas o processo criativo joga em outra temporalidade.
O criador Elton Luiz mencionou uma vez que você precisa de pelo menos 100 vídeos para "começar a brincadeira".
Essa ideia é libertadora porque tira o peso de cada obra individual.
Quando você entende que os primeiros 100 passos são apenas para aprender a caminhar, você para de sofrer com a perfeição.
A filosofia da nossa newsletter e deste canal é clara: o processo é a recompensa.
Quem ama a caminhada vai muito mais longe do que quem está apenas focado na linha de chegada.
Quando o traço que você faz agora, neste segundo, te traz satisfação, você se torna invencível perante o algoritmo.
A verdadeira liberdade criativa nasce quando paramos de produzir para o "ter que entregar" e voltamos para o prazer de "estar fazendo".
O Fundo do Mar: O Valor Terapêutico do Silêncio
Vivemos em um mundo barulhento, saturado de estímulos que nos impedem de ouvir a própria voz.
Temos medo do silêncio porque ele nos obriga a enfrentar o vazio.
Mas é justamente nesse vazio que a mente se organiza.
Eu costumo dizer que as melhores ideias surgem no banho ou dirigindo porque nesses momentos damos um tempo para o cérebro "limpar o para-brisa".
A inspiração não é um raio; é um sussurro que você só ouve quando para de gritar.
Meditar 15 minutos por dia, focar na respiração e desligar as notificações não é um luxo, é manutenção básica de hardware para qualquer artista.
É nesse silêncio que você acessa o seu fundo do mar de ideias.
É um lugar profundo, às vezes escuro, mas cheio de tesouros que a superfície barulhenta do cotidiano nunca permitiria enxergar.
O Mito do Bloqueio e a Disciplina da Inspiração
Precisamos falar sobre o "bloqueio criativo".
Para muitos, ele é uma entidade mística que impede a criação.
Para mim, sendo bem direto: muitas vezes o bloqueio é apenas falta de trabalho.
A inspiração é uma operária, não uma musa caprichosa.
Ela precisa te encontrar trabalhando. Se você não tem uma ideia original hoje, escreva sobre algo banal. Desenhe o que está na sua frente.
Toque os mesmos acordes que já conhece.
A originalidade não surge do nada; ela nasce do acúmulo de tentativas "não originais".
Na Luxara Labs, a criação de produtos e espaços segue essa lógica.
Não esperamos a iluminação divina para projetar um festival; nós começamos a riscar o papel, a testar materiais, a errar rápido.
A arte no sangue exige suor na pele.
Se você quer se conectar com o espírito criativo, precisa entender que a inspiração é o resultado da sua imposição de metas.
Arte como Cura, Trabalho como Identidade
Existe uma diferença fundamental entre "arte-terapia" e o "artista que se cura através da arte".
Muitas pessoas buscam o artesanato ou a pintura para relaxar, e isso é maravilhoso. Mas, para quem tem a arte como identidade, o buraco é mais embaixo.
Para nós, a arte é o que dá sentido à existência.
Ela pode curar traumas, aliviar a ansiedade e preencher o vazio, mas ela faz isso através do esforço. É o estudo constante, o retorno aos básicos — seja no violão, no piano ou na escrita — que nos mantém sãos.
A sua criatividade não precisa ser forçada, mas ela precisa ser vivida. Ela te espera no agora, no próximo movimento que você decidir fazer.
O Sinal da Existência
Então, voltando à pergunta inicial: "Eu estou fazendo isso certo?".
Se você está produzindo, se está respeitando o seu processo, se está se permitindo o silêncio e entendendo que a arte é o seu trabalho e a sua cura, a resposta é um sonoro sim.
Não procure permissão.
O seu processo artístico é único justamente porque ele muda o tempo todo — assim como este blog, assim como a Luxara Labs, assim como eu e você.
A sua voz é única. Não deixe que as métricas apaguem a sua chama.
O que você não consegue parar de fazer é onde mora a sua verdade.
Eu adoraria saber de você: Qual é a parte do seu processo que mais te dá medo? O silêncio ou a página em branco?
Deixe um comentário abaixo.
Vamos discutir a arte, o tédio e a beleza de continuar fazendo, mesmo sem todas as respostas.
A inspiração é trabalho, e todo trabalho exige as ferramentas certas."
Não deixe a sua próxima grande ideia ficar presa no rascunho por falta de material.
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