Perfume e construção de mundo: o que a Coleção Réplica ensina sobre storytelling sensorial
Existe uma pergunta que escritores, roteiristas e game designers fazem antes de qualquer outra coisa: como eu faço alguém acreditar que esse lugar existe? Essa é a essência do world building — a arte de construir universos críveis o suficiente para que o público entre neles e esqueça, por um momento, que são ficção. A resposta costuma envolver mapas, cronologias, dialetos inventados, arquitetura imaginada. Raramente ela envolve um frasco de vidro. E é exatamente aí que a ideia de perfume e construção de mundo começa a fazer sentido de um jeito que poucos esperariam. A Coleção Réplica da Maison Margiela é, antes de qualquer coisa, um exercício de storytelling — e um dos mais sofisticados que existem. O mundo começa antes do cheiro Antes mesmo de abrir um frasco da Coleção Réplica, algo já acontece. O rótulo — minimalista, quase burocrático, como uma etiqueta de arquivo — apresenta coordenadas. Não de GPS, mas de memória. Jazz Club. Brooklyn, 2013. By the Fireplace. Chamo...


