terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Criação Sem Algemas: Por Que o Seu Maior Trunfo é a Plateia Zero











Por Cássio Racy


Eu estava relendo O ato criativo: Uma forma de ser  do Rick Rubin, e uma frase me acertou como um soco de irmão mais velho:

“Crie como se ninguém estivesse assistindo. Crie como se ninguém fosse ouvir. Crie como se o mundo não existisse.”

Eu parei tudo.
Olhei para o meu microfone, para os meus livros e para a trajetória deste projeto o podcast Fala Cássio Racy.

Porque este podcast — desde o primeiro áudio gravado— foi exatamente isso: eu falando sozinho no quarto, sem saber se alguém ia ouvir, sem saber se ia dar certo, sem saber se eu seria cancelado na próxima esquina.
Não sabia nada.

E de repente, eu percebi: esse é o meu maior trunfo. E eu levo isso mortalmente a sério.

A dose de hoje é dura: você precisa parar de criar para o público e começar a criar para o Criador — com "C" maiúsculo ou minúsculo, você escolhe. Mas a plateia precisa sair da sala agora.


O Segredo de Rick Rubin: A Energia Que Não Pode Ser Editada

Para quem não sabe, Rick Rubin é o cara que produziu todo mundo: de Johnny Cash a Red Hot Chili Peppers, de Adele a Slayer, de Kanye West a Linkin Park. E o segredo dele é simples e devastador:

“Quando você pensa no público, você começa a editar. Quando você edita, você mata a energia. A arte verdadeira acontece quando você esquece que existe plateia.”

Ele conta que gravou os últimos discos do Johnny Cash (American Recordings) apenas com o velho sentado no sofá da sala. Sem fones de ouvido, sem metrônomo, sem a pressão de uma cabine de gravação.
O resultado?
Discos que fazem um homem adulto chorar na primeira nota.

Por quê?
Porque não havia público na sala.
Havia apenas um homem cantando para Deus e para a morte que ele sentia chegar.

Eu li isso e pensei: “Caralho, é exatamente o que eu busco aqui”.

Eu não tenho um roteiro bonitinho.
Não tenho uma thumbnail desenhada para o clique fácil.
Não tenho um nicho definido ou uma estratégia de crescimento agressiva.
Apenas ligo o gravador e falo o que está queimando no peito.

O engraçado é que quando passo o que falei para esses artigos, a menssagem que quero dizer fica muito mais clara para mim mesmo.

Às vezes é uma análise de Gênesis, às vezes é o absurdo de Ionesco, às vezes é o realismo fantástico de Jacques Bergier, ou às vezes sou eu, cru, confessando que estou com medo.

Eu não estou criando para vocês.
Estou criando para mim e para Deus e essa força  me faz levantar todo dia.


O Veneno do Showbiz: A Lei do 80/20 e a Morte da Arte

Desde que eu assumi essa postura, algo mudou.
Parei de olhar estatísticas antes de gravar.
Parei de me perguntar:

Será que isso vai ofender fulano?
 

Parei de querer soar inteligente, "alfa" ou excessivamente espiritualizado. Parei de querer viralizar.

O resultado?
Os episódios saíram mais crus, mais vivos, mais perigosos.
É o paradoxo do Rick Rubin: quanto menos você tenta agradar, mais gente se apaixona pela sua luz.

E aqui entra o veneno do showbiz que explica 80% do que vemos por aí.

A maioria dos artistas que amamos começa brilhando intensamente quando ninguém está olhando.
Eles cantam e escrevem como se o mundo não existisse. Então, a fama chega.

Vem o público, o empresário, a gravadora, o algoritmo.
 Começam as frases:
Isso precisa emplacar no TikTok
Precisamos de um feat com fulano
O fã-clube não vai gostar disso.
Nesse momento, o artista começa a criar para o público.

Resultado?

  • O segundo disco é pior que o primeiro.

  • O terceiro é genérico.

  • O quinto é uma vergonha alheia plastificada.

A voz fica sintética, a letra vira slogan e a arte vira um produto de prateleira.

Olha para qualquer artista que você curtia e que se "perdeu".

Ele provavelmente trocou a criação solitária pela criação por encomenda.
No showbiz, essa é a lei 80/20: 80% pioram depois da fama.

Os outros 20% — os soberanos como Johnny Cash ou Kendrick Lamar — sobrevivem porque continuam criando como se estivessem sozinhos no quarto.

Eu escolho os 20%. Se um dia eu tiver 100 mil ouvintes e leitores  e começar a pensar no que eles "querem ouvir", pode me dar um tiro.
Eu já terei virado um rinoceronte.











A soberania do criador 


Não existe soberania sem a coragem de ser o único juiz da sua própria obra.

Na teoria dos jogos, o ato de criar para o público é um jogo de "baixo valor", onde você é um refém da aprovação alheia.

Criar sem plateia é um sinal de custo elevado: você sinaliza uma autenticidade tão profunda que ela se torna irresistível.

Soberania é entender que o conhecimento e a arte são caminhos para o Despertar, não moedas de troca para validação social. Se o seu trabalho não te transforma primeiro, ele não serve para transformar ninguém.


 O Desafio "Sem Plateia"

Este desafio é libertador e assustador.
Se você quer ser um "Último Homem" e manter sua pele humana, faça isso hoje:

  1. A Ideia Proibida: Pegue uma ideia que você está adiando porque "não é comercial", "não é do meu nicho" ou "vai ofender alguém".

  2. O Áudio Cru: Grave 3 minutos de áudio no seu celular, falando essa ideia como se ninguém no mundo fosse ouvir. Sem filtros, sem "edição de imagem".

  3. O Cofre: NÃO poste em lugar nenhum. Guarde apenas para você. Ou, se tiver coragem de sinalizar essa soberania para mim, mande para criativaligacao@gmail.com. Eu guardarei no cofre.

  4. A Repetição: Faça isso por 7 dias.

Você vai ver a energia mudar. É uma mutação da inteligência na prática. Você vai sentir o que é criar sem algemas.


 O Motivo da ilha

Este podcast não é para você. É para mim. É para Deus. É para a força além do humano que me habita.

Vocês são bem-vindos para entrar na minha ilha e ouvir  ou  ler o que eu tenho a dizer, mas saibam: vocês não são o motivo deste quarto existir.
Se isso te ofende, beleza.
Se isso te liberta das suas próprias amarras criativas, melhor ainda.

Outro dia , eu gravarei o que tiver que gravar. Com plateia zero.

Para alimentar esse estado de vigília e não cair na armadilha do showbiz, você precisa de repertório. Conhecimento é a armadura do artista soberano.
Abasteça-se aqui: 


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Paz… e criação sem algema.